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sábado, 2 de julho de 2011

ENTREVISTA: Arriete Vilela

A alagoana Arriete Vilela é natural da cidade de Marechal Deodoro. Ela é mestra em Literatura Brasileira e professora aposentada da Universidade Federal de Alagoas.

Vários de seus livros publicados já foram premiados e já estão com diversas edições. Dentre as suas obras estão: Para além do avesso da corda (Edufal, 1980); Pequena história da meninice e outras estórias (Edufal, 1981), que recebeu o Prêmio Carlos Paurílio – Grupo Literário Alagoano; Remate (Edufal, 1983); Carlos Moliterno: vida e obra (Edufal, 1985) que foi contemplado com o Prêmio Comendador Tércio Wanderley – Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e, também, o Prêmio Organização Arnon de Melo – Academia Alagoana de Letras; O poeta popular José Martins dos Santos (Edufal, 1986); Fantasia e avesso (alcançando quatro edições de 1986/2001); Farpa (Sergasa, 1988), que ganhou o Prêmio Romeu Avelar – Academia Alagoana de Letras; A rede do anjo (Gráf. Ed. Gazeta de Alagoas, 1992); Dos destroços, o resgate (em segunda edição, 1994/1999), que recebeu o Prêmio Romeu Avelar – Academia Alagoana de Letras e o Prêmio Malba Tahan – Academia Carioca de Letras e União Brasileira de Escritores / RJ; O ócio dos anjos ignorados (Gráfica Ed. Gazeta de Alagoas, 1995) Prêmio Cecília Meireles – União Brasileira de Escritores – UBE; Tardios afetos (Gráf. Ed. Gazeta de Alagoas, 1999); Vadios afetos (Gráf. Ed. Gazeta de Alagoas, 1999) Prêmio Jorge de Lima - Academia Carioca de Letras e União Brasileira de Escritores / RJ; Artesanias da palavra (Coletânea de poemas com Gonzaga Leão, José Geraldo Marques, Otávio Cabral e Sidney Wanderley - Grafmarques, 2001); Maria Flor etc (com 2 edições em 2002); Grande baú, a infancia (Edufal, 2003); Frêmitos (Grafmarques, 2004); A Palavra sem Âncora (Maceió, AL, 2005); e Lãs ao vento (Gryphus, 2005), que recebeu o Premio Luzia Aizim de Ficção e Poesia de Mulheres, concedido pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro no último dia 27 de outubro de 2006, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. Além desses e de outros prêmios, ainda foi agraciada com o Mérito Cultural – União Brasileira de Escritores (Rio de Janeiro – 1988), o Prêmio Imprensa – Categoria: Poesia - Fundação Cultural Cidade de Maceió (Prefeitura Municipal de Maceió-1997), o Prêmio Destaque na Literatura 2001 - Prefeitura Municipal de Maceió, o Alto Mérito Sociocultural - União Brasileira de Escritores/RJ -2002 e a Comenda Nise da Silveira - Governo do Estado de Alagoas – 2005.

Para quem conhece Arriete Vilela, sabe que se trata de uma mulher simpaticíssima e de uma poética merecedora de aplausos.
Esta é a segunda vez que ela me concede uma entrevista. A primeira, por volta de 1996, quando eu editava o Nascente – Publicação Lítero-Cultural que circulou entre 1996/1999.
Desta vez, Arriete Vilela vem com todos os festejos do seu mais recente livro, Lãs ao Vento, sucesso de público e de crítica.
Com vocês, Arriete Vilela!

GP - Arriete, de início a pergunta de praxe: como e quando foi que ocorreu o seu encontro com a Literatura?
Posso responder de várias maneiras. Por exemplo: que esse meu encontro com a Literatura é uma longa história. Mas aí eu teria de contar alguns fatos, e esse retorno à infância, embora seja prazeroso, hoje, porque elaboro certos conteúdos por meio da palavra, é também difícil, bordado de lembranças que, se já não sangram, ainda traçam no meu coração uns riscos de tristeza, de desamparo afetivo. Esqueçamos, então.
Mas posso responder assim: nada me levou à Literatura. Não houve um encontro, pois nasci dela. A Literatura está tão entranhada em mim como uma veia poderosa que me irriga a alma de uma seiva hoje imprescindível à minha vida.

GP - Você nasceu em Marechal Deodoro, a primeira capital e uma cidade histórica de Alagoas. O que ficou ou foi recolhido da cidade na sua Literatura?
Ficaram, sobretudo, as águas. Água de lagoa, água de cacimba, água de pote, água de rio, água de quartinha, água de chuva.
A água é um elemento pertinente à minha escrita. Há, inclusive, um trabalho da profa. dra. Enaura Quixabeira que mostra bem isso: “Arriete Vilela e o devaneio aquático da palavra”.

GP - Na condição de professora e mestra em Literatura Brasileira, você se diz privilegiada por ter podido conciliar a Literatura como profissão e vocação. Como foi a descoberta por essa profissão e vocação?
Essa é também uma pergunta que eu poderia responder de várias maneiras. Mário Vargas Llosa fala de uma predisposição que se pode ter, na infância ou no começo da adolescência, “para fantasiar pessoas, situações, casos, mundos diversos do mundo em que se vive, e essa inclinação é o ponto de partida do que mais tarde poderá se chamar vocação literária”.
Isso ocorreu comigo. Eu costumava criar histórias e contava-as às minhas colegas. Um dia, já adolescente, percebi que minhas histórias se perdiam, eu mesma as esquecia já na outra semana. Resolvi, então, escrevê-las. Publiquei algumas no Fiat, jornalzinho do Colégio de São José, onde eu estudava. Professores e alunas (à época, só meninas estudavam lá) liam e elogiavam. Fui tomando gosto, entende?
Tomei gosto, igualmente, pela leitura. E descobri que quanto mais eu lia mais facilidade sentia para escrever. Dos 14 aos 18 anos, li clássicos como Machado de Assis, Dostoievski, Flaubert e Eça de Queirós. Um aprendizado e tanto!
Então, já completamente seduzida pela Literatura, só me restava cursar Letras e, quase inevitavelmente, tornar-me professora de Literatura.

GP - O que primeiro rebentou para você: a poesia ou a prosa?
A prosa. Mas, quase intuitivamente, a minha escrita sempre foi marcada pela prosa poética.

GP - Como foi a experiência de publicar “Para além do avesso da corda”?
Foi um livro que me deu a grande alegria de saber que, já àquela época, eu tinha leitores (risos). Fiz uma edição de mil exemplares, e praticamente todos foram adquiridos logo depois do lançamento. Uma maravilha, não? Hoje, possuo apenas um exemplar.

GP - Fale um pouco do seu livro “Farpa”.
Em “Farpa” há uns contos (“Cirandinha”) que depois reescrevi, ampliei, juntei a outros, inéditos, e publiquei com o título “Dos destroços, o resgate” (sobre o qual há uma dissertação de Mestrado da profa. ms. Cármen Lúcia Dantas).
Esse livro foi, anos depois, revisto, ampliado e reeditado sob o título “Grande Baú, a infância” (ainda este ano, creio, sairá uma edição em braile, pela Edufal, o que me emociona bastante).

GP - Em 1992, você publicou “A rede do anjo”. Fale a respeito desse livro.
Passei alguns anos sem escrever poemas. “A rede do anjo” foi gratificante, porque algumas pessoas, cuja opinião levo a sério, se mostraram bem impressionadas com o livro.

GP - Em “O ócio dos anjos ignorados”, a profa. dra. Izabel Brandão destacou o prazer do amor e a paixão da palavra, reunindo uma variedade de sentimentos díspares no caldeirão da sua poética. Há, notadamente, muito de infância, errâncias, silêncios nesse livro. Conta pra gente a sua impressão a respeito disso.
Em 1999, “O ócio dos anjos ignorados” (poemas) foi adotado para a seleção do Programa de Pós-Graduação em Letras e Lingüística da UFAL, e isso me deu uma grande alegria, pois esse livro foi lido por pessoas que possuíam um bom referencial teórico. De todos os meus livros, creio ser esse o que tem menos leitores. A profa. dra. Izabel Brandão fundamentou o estudo dos poemas na teoria de Bachelard, e por ser uma obra densa ficou, de certa forma, marcada como difícil. Segundo a crítica, é um dos meus livros mais importantes.

GP - Já nos “Vadios afetos”, você ao mesmo tempo teve e vai desconstruindo o verso até o alcance de uma excelência notável, a ponto de se deixar derramar como quem se refaz a cada reconstrução. O que acha disso?
Bom, para resumir o que você quis dizer e acrescentar alguma outra coisa que a gente queira, eu diria, como Manoel de Barros, que “o meu processo de escrever é ir desbastando a palavra até os seus murmúrios e ali encaixar o que tenho em mim de desencontros”. É isso.

GP - Você incursiona na prosa por livros como “Tardios afetos”, “Fantasia e avesso” e “Grande baú, a infância”. Fale da experiência de trabalhar tanto a poesia como a prosa. Fale, inclusive, do seu mais recente livro, o romance “Lãs ao vento”.
Adélia Prado disse: “Às vezes Deus me tira a poesia; olho pedra, vejo pedra mesmo”.
Quando ocorre isso comigo, busco encontrar a poesia onde aparentemente ela não está: nas entrelinhas da vida. Não sei viver/escrever de forma prosaica. Então, nos momentos em que vejo apenas “pedra”, tento metaforizar o real, porque, como disse Cecília Meireles, “a vida só é possível reinventada”. De modo que a minha prosa é sempre poética. O que quero dizer é que prosa e poesia se confundem no meu fazer literário. É só uma questão de forma.
Em “Fantasia e avesso” e “Lãs ao vento”, o leitor percebe bem essa minha preocupação com a palavra poética. E como informação, devo dizer que “Lãs ao vento” (romance) foi premiado pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro. A premiação foi na Academia Brasileira de Letras, no dia 27 de outubro deste ano. Esse é, aliás, o meu quinto prêmio nacional.

GP - Você é uma autora premiadíssima e já teve muitas de suas obras como tema de pesquisas acadêmicas. Fale desses prêmios e dessas pesquisas efetuadas sobre a sua obra.
Já me antecipei quanto aos prêmios nacionais. Também já recebi muitos prêmios aqui em Alagoas, sobretudo da Academia Alagoana de Letras, mas só até 1996, ano em que tomei posse como acadêmica, na Cadeira nº 6; pertencente ao quadro dos “imortais”, eu já não podia concorrer aos prêmios (exceto no caso de não haver nenhum inscrito, o que não é comum), e passei então a fazer parte das comissões julgadoras.
Mas quero registrar aqui a Comenda Dra. Nise da Silveira, com que fui agraciada pelo Governo do Estado, em 2005, por ser considerada uma das mulheres alagoanas que mais têm se destacado na área cultural.
Um outro registro, embora não se trate de premiação, mas de homenagem: em 2002, a biblioteca setorial da Pós-Graduação em Letras da UFAL passou a ser chamada Biblioteca Escritora Arriete Vilela, por iniciativa da profa. dra. Belmira Magalhães.

GP - Como você vê a poesia hoje? Quem você destaca no fazer poético contemporâneo?
A poesia é eterna. Na Antiguidade Clássica ou na contemporaneidade, a poesia é a seiva da alma humana, a redenção.
Tenho, naturalmente, preferência por alguns poetas, inclusive alagoanos, porque temos, nesta nossa terra, ótimos poetas. Mas prefiro não citar nomes. Além disso, são escolhas muito pessoais, e cabe a cada leitor eleger os seus poetas preferidos.

GP - Há espaço para a poesia hoje?
Claro. Manoel de Barros diz que “poesia é quando a tarde está competente para as dálias”. E a tarde sempre está competente para o belo. Não só a tarde, aliás. A manhã, a noite, a própria vida.

GP - Como a gente está conversando para um Guia de Poesia que está disponível na internet, você acha que essa ferramenta da tecnologia tem contribuído para a difusão da poesia? O seu trabalho está sendo divulgado na internet?
Creio que devemos sempre nos atualizar. Não sou uma pessoa com grandes paixões por computador, mas reconheço que é uma excelente ferramenta de trabalho. Acesso sites de literatura com freqüência, embora reconheça que há muita coisa que não vale a pena.
Tenho uma página (www.arrietevilela.com.br), que não consigo renovar por não saber usar os recursos técnicos. Ando, inclusive, à procura de alguém que cuide do meu site.

GP - Quais os projetos que você tenciona realizar?
O meu projeto é sempre imediato: sentir e vivenciar a poesia sobretudo nas entrelinhas da vida, no cotidiano, nas coisas mais simples.
O meu projeto literário está sendo construído aos poucos: estou escrevendo um outro romance.
E mais: dou cursos de leitura e produção de textos; sou convidada constantemente para palestras em escolas e faculdades; faço o 4º período de Publicidade e Propaganda.
Como vê, ocupo muito bem o meu tempo. Tanto, que levei meses para responder essa entrevista. O que, afinal, me proporcionou o prazer de, virtualmente, conversar com um amigo tão querido como você e com os leitores do seu Guia de Poesia.

Obrigado, Arriete. E, você navegante, não deixe de visitar: www.arrietevilela.com.br e conhecer melhor a obra desta poeta e escritora alagoana.
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ARTIGO: Arriete, sempre Arriete

Ancorei em Maceió por volta do segundo semestre de 94, meados de junho, oriundo da vizinha terra pernambucana. Levado pela mania de pesquisar e conhecer tudo avidamente deslumbrava-me com a beleza exuberante natural que distava do Pontal até Riacho Doce, ao mesmo tempo que ia me esgueirando em conhecer melhor as virtudes altaneiras locais. Não posso negar que já visitara a cidade outras vezes, às carreiras, e sempre saía daqui sem saber nem mesmo distinguir um beco de qualquer avenida. Aproveitava, então, agora a oportunidade de aqui residir e desfrutar dessa paisagem paradisíaca.

E foi numa dessas investidas que me deparei com o livro "Dos destroços, o resgate", de Arriete Vilela, uma escritora natural da cidade de Marechal Deodoro - a primeira capital de Alagoas -, mestra em Literatura e premiada nacionalmente, reunindo uns contos de infância com gosto de caju, brincadeiras e reminiscências. Coisas telúricas me buliam por dentro e repassava na minha memória engenhos, animais, avós e muita peraltice. Era tudo muito cristalino feito água de brejo que a gente timbunga ao som da passarinhada, ao gosto da mais diversa fruteira, no eflúvio da mais singela alegria. Assim, era tudo transparente na narrativa de coisas vivas e sentimentais.

Reforço que não foi fácil encontrar nas livrarias da cidade livros de novos autores, somente e, ainda, com dificuldade, Jorge de Lima, Graciliano Ramos ou Ledo Ivo, ou, e olhe lá, nem isso nelas. Quando muito, um poema ou uma crônica desses novos autores alagoanos, uma vez por semana, no caderno cultural da Gazeta de Alagoas. Mas eu queria gente mais próxima, gente andando na traquinagem da arte, no aqui agora, coisa difícil ainda hoje, até.

Foi quando inventei, já por volta de 96, de fundar o periódico Nascente - Publicação Lítero-Cultural - tentando preencher esta lacuna. Que pretensão a minha! E lá se foi o número inaugural, dois, três; recebia mais colaborações do Brasil inteiro e até do exterior, menos de Maceió ou Alagoas.

Não enverguei o propósito e parti disposto, lançando edição com uma entrevista que havia feito com Djavan. Pensei, agora escancaro este território. Nada, eu circulava e sonhava numa barraca da orla da Ponta Verde, distribuindo gratuitamente a edição de cinco mil exemplares e nada acontecia. No meio da boêmia tive um estalo: vou entrevistar Arriete Vilela. Cascavilhei os livros dela nas livrarias, nada. Endoidei e não sei como descobri um telefone de contato.

O Nascente já estava, parece, pela edição seis ou sete. Liguei com a maior cara de pau e disse: quero entrevistar Arriete Vilela! Quem é? Expliquei tudo e a pessoa, ao telefone, alegou que transmitiria o recado. Não senti firmeza e esperei.

Uns dias mais, consegui marcar a entrevista; nós nos encontramos e ela, gentilmente, autografou o "Ócio dos anjos ignorados", recém lançado. Saí dali duplamente satisfeito: com a entrevista e com o livro. Preparei a edição e mandei brasa. Deixei uns duzentos exemplares na portaria da residência dela e depois ela me presenteou com uma visita, querendo mais alguns exemplares. Foi aí que interpelei por um poema para a seção "Poético" do nosso tablóide. Ela me entregou o poema "Teus Olhos". Enquanto lia, surgia uma melodia na minha alma, tomando conta, parindo pronta, de vez. A canção crescia, se perdia de mim pelos poros, pelas vísceras, pelos nervos, atravessava o coração pactuado animicamente. Era o poema da alma escrito com a carne do corpo. Era flagrar a oferenda do avesso, o fio da meada, o poliedro do postigo da vida, essa vida que é a volúpia dos tons de Piazzola: "o gozo de sermos campos lavrados por sôfregas ilusões pagãs".

O pacto entre a canção e o poema alinhavava fantasias e avessos: o amor desordenado, a crueza do espinho fincado na carne, a solidão da noite, "o modo licencioso de apossar-me da alma humana".

A partir de então, a literatura de Arriete cresceu-me: "Vadios afetos" e "Tardios Afetos", em 1999, e a quarta edição de "Fantasia e Avesso", agora em 2001. Eu lia como se tivesse o prazer de ouvir a Ária na corda de sol ou a Bachianinha n.º 5, revolvendo a raiz da terra com a menina frente ao mar dos olhos da mãe na boquinha da noite, "sobre o peito de maduros amores mortalmente desinventados". Eu descobria a diferença entre ser e estar alegre no meio das errâncias, quebrando a frieza e afiando a lâmina da poesia, apascentando feras, quitando os débitos do patrimônio sentimental, mergulhando no abismo do anonimato de todas as dores e felicidades, descobrindo os enredos da alma traduzível, livre, como aves de arribação no exercício secreto da descoberta dos estilhaços, exorcizando o duelo da palavra neste mundo insólito como um ácido no corte: a desumanidade embaçando a memória dos que carecem de ilusão.

O seu depoimento com todas as paixões do ser, saindo com o coração pela boca até se entregar na palma da mão: tudo muito cristalino como a menina Arriete, tudo transparente na transcendência imanente da comunhão poética de Arriete. Era, afinal, a revelação da menina comungando sonhos no vórtice do universo.

Por essa e por todas as razões, do sisifismo do menino que fica adulto e volta a ser menino nos dias e nas noites, que alimento essa natural e cristalina maneira de amar Arriete, sempre Arriete Vilela.

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